Eu fico me perguntando o que há de errado com meus textos.
Ninguém tem interesse em ler, quando lêem largam pela metade, fazem de conta que não leram.

E acho que encontrei a resposta.

Eles são ficção científica. E as pessoas vão ler sci-fi esperando críticas à humanidade, críticas ao capitalismo, desconstrução da sociedade atual, exercício teóricos em algum campo da ciência.

E o que eu escrevo? Enlatado. Puro e simples enlatado. Minhas histórias são iguais seriados “estadunidenses”, onde o carisma dos personagens também conta, onde referências e piadas “ocultas” também existem, onde a birra e o mau humor academicista não tem vez. É nisso que eu errei.

Livro é um objeto muito importante, muito sério, muito, digamos, transcendental, para abrigar meros enlatados. Livro só escreve quem tem algo importante a dizer, quem sabe das coisas, quem estuda anos para escrever, quem fala pra humanidade dos seus problemas; fala não, esbofeteia mesmo. Livro não é parquinho de diversões, com gritaria e correria de crianças, é lugar sério, silencioso e repleto de faces sérias e compenetradas no seu trabalho. E eu diria carrancudas também. É lugar de gente disposta a bater de frente, mas que na verdade só bate de leve de lado.

E isso me fez ver que estou perdendo tempo tentando ser escritora. Vou ficar apenas como roteirista de jogos, tentar a sorte como roteirista de enlatados. Quem sabe assim eu fico em paz com minha própria falta de habilidade em escrever. Afinal, sou só contadora de histórias mesmo.

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