Recebi esse texto hoje pela manhã, para ser postado no blog:

“Eu sou uma ávida leitora. Costumo ler entre dois a dez livros por mês, dependendo meu humor e disposição. E claro, livros novos e com conteúdo que me interesse. Costumo ler até livro técnico! E eu devo essa minha capacidade de leitura alta, muitas vezes, ao escritor. Ou seria ao contador de estórias? Um dos meus autores favoritos, Stephen King, é considerado no meio literário como um grande paspalhão, que leva seus leitores a vagarem em meio a uma leitura medíocre, sem concordância gramatical, ou muitas vezes ignorando completamente as regras linguísticas, para simplesmente contar uma estória. Alguns escritores até mesmo o acusam de ter a pachorra de desafiá-los, quando ele vende milhões de livros e figuram entre os 10 mais vendidos do NY Times, sem ter nenhuma regra adicionada ao livro!

Outro que eu costumo ler em menos de duas horas (e livros com mais de 300 páginas) é Neil Gaiman. Ele conta estórias, assina quadrinhos, roteiros de seriados, e é considerado um ‘vendido’, porque ele tem ‘qualidade literária’, mas simplesmente prefere enveredar pelos caminhos que mais o trazem ganhos financeiros a ser considerado um escritor de verdade.

Tolkien foi um grande professor de linguística e literatura. Todos os livros dele tem toda uma estrutura gramatical, concordância e tudo o que os escritores de hoje em dia consideram que seja a característica básica de um escritor de verdade. Mas ele é considerado um escritor ruim em alguns meios porque ele escreveu fantasia. E não compilados de poesia ou, o que eu como leitora muitas vezes vejo, mera encheção de linguiça. Os livros de Tolkien são contações de estórias, e os únicos aos quais ele enveredou realmente para a ‘regração’, apesar de serem contação de histórias, para mim são um saco de ler. Simplesmente porque eu me interesso na estória, e não na parte gramatical, nas regras e afins.

É claro, uma revisão de texto, acertar algumas concordâncias e erros de língua é necessário, obviamente (ninguém gosta de ler menas no meio do texto), mas isso serve para o editor, para o revisor. O escritor deve se ater a escrever o livro, e pra mim a maior diferença entre um escritor hoje em dia de um contador de estórias é que eu comprarei o livro do contador de estórias. Porque é isso o que me interessa. E não se a vírgula deveria estar naquela posição porque a porcaria da frase tem 4 palavras oxítonas. Sinceramente, foda-se!

Eu escrevi este texto porque há alguns meses eu caí de paraquedas em um grupo de escritores para tentar ajudar em relação a direito cibernético. E não pude deixar de perceber que hoje em dia todo mundo se intitula escritor por ter escrito uma postagem de blog. Tive contato com textos de outros grupos de escritores, o que me fez perceber que isso está ficando generalizado. “Ora, eu sou um escritor porque escrevi um ebook que foi lido por muitas editoras e considerado medíocre, mesmo eu o considerando acima da média”. Sem contar que a grande maioria só pegou clássicos e o modificou a seu bel prazer, como uma grande fan-fic, alterando seu teor para muitas vezes alimentar o próprio ego (já que muitos se colocam na posição de herói do livro). Muitos se preocupam mais com o possível plágio de textos que nem inventou do que com a real contação de estórias.

Eu saí do grupo, no fim das contas. A verdade é que prefiro procurar meus contadores de estórias nos enlatados e nos 10 mais vendidos do NY Times do que procurar escritores.

Porque você não precisa ser um escritor para ser um contador de estórias.”

Por Mih Paese, aquela que busca incessantemente por contadores de estorias

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