“Filmes não mostram as coisas como são de verdade”

Sabe aquela cena de alguém caindo, que demora uma eternidade, e que parece ir contra as leis da física? Aí você responde: Sim, eu sei. Está errado! Fazem isso só pra aumentar o drama.

Mas você já caiu? Já levou O tombo? Aquele de vídeo engraçado? Se não levou ainda, trate de levar.

Claro, nem todos os cérebros reagem da mesma forma, mas parece que a maioria chega num consenso: em um tombo, ele trabalha mais rápido.

Sim, você cai em câmera lenta. Sim, se você se jogar do alto de um prédio, o cérebro vai trabalhar tão rapidamente que vai ter tempo de passar a sua vida inteira diante dos seus olhos. Por que o cérebro faz isso? Talvez para que de tempo de você reagir e comandar seu corpo para evitar a desgraça maior. Porém o corpo não reage na mesma velocidade.

Daí vem aquela famosa frase das artes marciais: domínio da mente sobre o corpo. O treinamento que leva a fazer com que o corpo reaja na mesma velocidade da mente.

Mas, o que isso tem a ver com a arte de transmitir emoções?

Capacidade de analisar coisas corriqueiras e insignificantes, e a habilidade de transmiti-las. É isso que grandes escritores fazem. Sabem transmitir a sensação de um simples tombo. E é isso que o cinema faz ao colocar efeitos e câmera lenta na cena da queda: transmitir a sensação.

Antes de criticar um texto, uma cena de um filme, leve um tombo. Leve dois, três. Sim, estou falando no sentido figurado. Leve muitos tombos, Muitos. Se arrebente. Não fique preso ao lugar comum de que, para ser bom contador de histórias, deve-se imitar o trabalho de um autor clássico.

Corra, ande, voe. Bata em um poste, caia de cara no chão, pule de um penhasco. Acorde suando de um pesadelo. Caia de cara na lama. Saia da biblioteca das regras clássicas de escrita e corra pelado pelo campus.

Só então bata no peito e diga que você é escritor com capacidade de julgar os outros.

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